quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nem tudo é fácil

"É difícil fazer alguém feliz, assim como é facil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas.
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o.
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga.
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça.
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o.
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida. Mas com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos realidade."

Cecília Meireles

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O mundo é um moinho

Composição: Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Futuro do Pretérito

Conheci um rapaz meio sério que não me dava nem bom dia nem me dirigia o olhar nas primeiras vezes que o vi, apesar de ter aberto a porta pra mim uma vez. Não fomos apresentados logo. Quando eu cheguei, ele estava de férias e quando voltou simplesmente ninguém nos apresentou. Ele não tinha muitos amigos. Os meses foram passando, nos cruzávamos no corredor de vez em quando, e eu sempre esperava o olhar dele, mas ele era resistente. Passou mais um tempo e ele ficou ausente, não sei, achei que estaria de férias de novo. Até que um dia numa reunião semanal, fomos todos informados que ele, ele mesmo, estava internado numa clínica para depressivos. Estava longe de casa há 7 anos e pelo jeito não tinha conseguido se adaptar muito bem assim, estava tendo problemas. E problemas da cabeça tem que tratar. Semanas depois fiquei sabendo que ele já estava em casa, sendo ajudado por um amigo, mas ainda não estava indo trabalhar. O gerente dele me convidou a um jantar num domingo na casa dele, disse que ia convidá-lo também, e eu poderia compartilhar um pouco minha natural alegria de viver com ele e fazê-lo se distrair um pouco dos pensamentos ruins que insistiam em invadir sua cabeça. Aceitei na mesma hora.

Antes de acontecer o jantar, fui à mesa dele, no trabalho, e desisti de esperar alguém nos apresentar. Disse que era eu a pessoa que ia jantar com ele, com o chefe dele e a esposa no domingo. Ele apertou minha mão, disse "prazer em conhecê-la". Mais dias passaram e naquela semana, na semana do jantar, eu tive uma crise de torcicolo como jamais vista, me mexia feito um robô. Não trabalhei quinta a tarde nem sexta o dia inteiro. O jantar era domingo próximo. Eu estava tão mal que cancelei compromissos da sexta, do sábado, mas o do domingo eu não cancelei. Não podia. Queria ir mesmo com dor no pescoço.

Passei o fim de semana em casa com bolsa de água quente no pescoço, passando Perskindol e tomando anti-inflamatório. No domingo, meu pescoço ainda não estava bom, e chovia muito, mas eu não deixei de ir ao jantar. Marcamos de nos encontrar e de lá fomos à casa do chefe. Lá, estava a esposa e a bebê. Sentei no sofá, na outra poltrona sentou ele, o chefe foi fazer churrasco lá fora aproveitando que a chuva tinha dado uma trégua. E ficamos na sala conversando e brincando com a bebê. Fizemos perguntas de praxe um ao outro. O vi sorrir, ouvi sua voz e fiquei feliz de estar ali.

Sentamos à mesa, jantamos carne de cavalo, de veado e de vaca com batatas e salada. Comemos muito, comemos uma torta de chocolate de sobremesa. Permanecemos sentados à mesa por horas, conversamos sobre tudo, e de vez em quando ele fazia confissões que estava melhor e me parecia uma pessoa normal, afinal quem não tem problemas? De volta ao trabalho, cruzei com ele algumas vezes, ele só estava trabalhando meio expediente, e na semana passada, na sala dele, dei de cara com uma caixona de biscoitos prussiens com açúcar que eram simplesmente uma delícia. Me disseram que tinha sido ele que havia trazido pra todo mundo e deixou ali pra quem quisesse. Roubei vários biscoitos durante dias e na quinta-feira falei com ele que aqueles biscoitos eram muito bons. Ele me disse que estavam em promoção no supermercado aqui do lado. Na sexta-feira, saí do trabalho e passei no supermercado, só havia o último pacote do mesmo biscoito, ainda na promoção, na prateleira e eu levei. Cheguei em casa, abri na mesma hora e comi mais uns. Comi no sábado, comi no domingo. Na segunda-feira, levei o pacote pro trabalho pra compartilhar com meus colegas, assim como ele havia feito, e estava disposta a dizer a ele que estava fazendo o mesmo. Mas, infelizmente, naquela segunda-feira cinzenta e fria, a mesa dele estava vazia. E não ia mais ser ocupada por ele, pois ele já não estava mais entre nós.

Respirei rápido. Fiquei muito perturbada. Não consegui me conter. Rebobinei os momentos que o vi me ignorando nos corredores e depois um rapaz tão doce tentando sobreviver nesse mundo confuso e conturbado. Não me aguentei, as lágrimas escorreram e não pude deixar de constatar que aquele domingo, aquele fim de semana do jantar na casa do chefe, tinha sido seu último fim de semana vivo. Seus últimos sorrisos e suas últimas refeições. Fui uma das últimas pessoas que ele conheceu.

Talvez se eu tivesse o mantido ocupado no fim de semana seguinte ele tivesse sobrevivido a mais uma semana. E a cada semana talvez tivesse mais tempo para curar suas perturbações, seus medos e inseguranças, suas tristezas e sensações ruins. Talvez se eu tivesse perguntado o que ele ia fazer no próximo fim de semana e o tivesse visto, talvez aquilo o tivesse impedido de acabar com a própria vida. Talvez se eu tivesse tirado a foto que gostaria mas hesitei, lá no jantar, na casa do chefe, e a tivesse enviado pra ele por email, talvez aquela foto espantasse o sentimento amedrontador de que ele estava só nesse mundo, e tivesse mais paciência pra ver o que ainda teria pra acontecer mais adiante em sua vida. Talvez se eu não tivesse esperado até sexta-feira pra comprar o biscoito, teria dado tempo pra ele ver que eu fiz o mesmo ato que ele fez para com seus colegas de trabalho, que eu aprendi aquilo com ele e que ele tinha coisas valiosas pra mostrar, pra ensinar. Talvez eu poderia ter dito que o achei antipático quando cheguei e aquilo talvez teria o feito sorrir um pouco mais.

Mas ele não esperou. E eu? Bem, eu vou respirar fundo e tentar continuar. Mantê-lo na lembrança e lembrar dos meus próprios momentos de fraqueza. Eu vou dar valor por não ter jogado tudo pro alto, por ter continuado, por ter tentado, por estar ainda tentando e suportando as indiferenças, as injustiças, o não certo. Por ter sido forte, coisa que ele não foi. Eu? Eu vou esperar que ele tenha partido pra outro mundo mais calmo que este, mais terno e menos cheio de turbulências que podem fazer um ir à loucura a ponto de acabar com a própria vida, quanta coragem. Eu? Eu vou rezar. Porque me conforta e tenho fé que o conforte também. Eu vou me esforçar pra aprender com isto, aprender que não posso simplesmente deixar de fazer e falar o que devo e quero quando sinto vontade porque talvez as pessoas vão ter idéias que eu não sei de mim, e daí? Eu? Eu vou viver! Viva! Uma próxima oportunidade pode não chegar, e o momento poderá ter sido perdido para sempre.


Dedicado a Craig Peirson.

sábado, 14 de novembro de 2009

Quebrou regras e sobreviveu

Até onde consegue se lembrar, sempre estiveram lá para determinar o limite do certo ao errado, do que pode e do que é proibido. Até onde consegue se lembrar, eram simples, como ir pra cama às 10 da noite, ou só brincar depois de estudar. Depois foram ficando mais responsáveis, como não ficar de recuperação no colégio, manter notas acima da média, sair da casa do namorado antes das 10 da noite. E aí, é claro, naturalmente com o tempo, tornaram-se ainda mais sérias, como parar o carro antes da faixa quando aprendeu a dirigir, acordar antes das 7 pra dar tempo de lavar o cabelo e não chegar atrasada no trabalho quando conseguiu seu primeiro emprego.

Regras.
Como poderia viver sem elas?
Não é porque sua vida tinha tomado aquele rumo, simplesmente não se via vivendo sem elas. E com elas aprender a ter disciplina, a se fazer respeitada, a fazer a coisa certa. Tudo muito simples na teoria. Só que no mundo real, não há regras que esclareçam no meio de toda a conturbação, que é crescer e viver neste mundo apressado, o surgimento de vícios, medos e sentimentos incertos e turbulentos que possam por a perder tudo que esforçou-se pra construir. Não há regras nem livros nem cursos explicando sexto sentido, experiência de vida ou métodos para detectar um mau pressentimento que sejam realmente efetivos... há?

Pronto. Aí vieram os dias que quebrou as regras para sobreviver, quando ignorou conflitos internos, fechou os olhos e passou por cima de medos e desconfianças e encarou o fato de que a melhor forma de entender era vivendo. Veja você, disseram a ela que dinheiro poderia realizar um sonho que tinha desde pequena quando, aliás, era ainda um tanto quanto pequena e nem tinha ainda como conseguir seu próprio dinheiro. No mínimo, um desafio. Se viu rodeada de meninos numa sala de exatas, quando haviam a dito que seria uma área de estudo para meninos, ou meninas não bonitas, mas, mais tarde, foi reconhecida como "beauty with brains" por um engenheiro que trabalhou com ela. Pôs seu organismo à prova em reações químicas e físicas, onde regras não se aplicavam, e descobriu os resultados por si. Vestiu camiseta de banda, fez tatuagens, piercings na orelha, no rariz e na língua e foi a shows de rock. No outro dia, se equilibrou em saltos de cores combinando com o cinto, escovou e pintou o cabelo de loiro e comprou bolsas e perfumes caros no shopping. Se jogou no mar, dançou noites inteiras, conversou com estranhos, deu 10 reais ao malabarista do semáforo, passou 10 horas na internet, arrancou as unhas do pé, deu gargalhadas quando deveria ter ficado em silêncio, fez cirurgia plástica, estudou grego, dormiu 19 horas, pagou para ver, se pôs a risco e sentiu na própria pele a dor e o prazer de testá-las, as regras. Confessou, finalmente, que em algumas situações, não se reconheceu. Em outras, foi tão melhor se conhecer mais, e poder se abrir ao que não era igual a ela, e descobrir o que era ela ali, instinto, talvez, afinal o que era igual a ela? Sair um pedacinho das suas regras, aquelas que conhecia, que a formaram, conhecer o lado de fora do seu mundo, mesmo que pudesse lhe causar dor e a fizesse querer voltar pro seu mundo, pro que conhecia e sempre conheceu até então, como um conforto que lhe transmitisse segurança e não a vulnerabilidade. Tomou os riscos e arcou com as consequencias. Saiu do curso, não tinha mais volta, estava feito, tinha quebrado as regras. Viu o mundo tão cruel e chorou tanto durante os primeiros momentos do aprendizado. Não demorou e, felizmente, percebeu que sem isto não teria conseguido. Que essa busca por respostas, pelo desconhecido, pelo que está por trás do que uns e outros dizem ou pensam, pelo sabor próprio do conhecimento era o que a mantinha em pé. Pelo menos estava vivendo, conhecendo, estava quebrando as regras, estava sobrevivendo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Felicidade Realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
(Mário Quintana)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre lembranças e novas fases para lembrar

O som repetido das notas que vinham do violão a fazia fechar os olhos e lembrar com uma dor boa de sentir de coisas que já viveu. Aquela lembrança que a fazia franzir a testa e dava vontade de encher os olhos d'água, como se fosse uma carga de energia que precisasse para lembrar de como vale a pena viver, nem que fosse só para recordar depois com carinho, e assim aprendesse o valor das coisas. Valor que não conseguiu dar no momento. Só percebeu depois. E assim se punia ouvindo os sons tristes do violão fazendo novas promessas e estando quase certa de que ali aprendera que daquela lembrança não haveria de criar outras da mesma natureza que pudesse fazê-la chorar de novo. Porque queria crescer e aprender com aquilo. E queria amadurecer e ver logo o que viria depois, como se fosse uma maçã que soubesse a hora de cair da árvore, embora não lembrasse se seria apanhada depois.

Não percebeu que as lembranças nunca são as mesmas e que os bons tempos são sempre os de hoje, pois melhores tempos ainda hão de vir. E ali não percebeu que ninguém vive só de alegrias e que é preciso um bocado de tristeza e melancolia para completar as fases que se vive até chegar na fase da felicidade que almejou de novo. Porque ninguém vive sem querer uma felicidade realizada e ninguém nunca está ou é feliz por muito tempo. Embora já tivesse visto por aí discussões e definições do que é a felicidade, entendeu que a maneira de alcança-la muda de acordo com como as pessoas mudam e mudam seus focos e objetivos. E que na verdade ser feliz é conseguir acompanhar essas mudanças e as mudanças que não se pode controlar. É lembrar do passado, de tardes ensolaradas divertidas e de aniversários comemorados e fotos com pessoas que hoje não estão mais e conseguir dar um sorriso sincero de saudade sem culpa, mas não por isso triste. É entender que haverá novas lembranças que a farão chorar e sentir novas saudades que nunca antes sentira, mas saber que será ainda melhor se conseguir ser forte o suficiente, como uma fortaleza com muros resistentes, para guardar todas essas lembranças novas sem esquecer as antigas e continuar sendo capaz de aprecia-las cada vez mais, seja como forem.

Então agora anda atenta e preparada aos acontecimentos que possam gerar novas lembranças, na expectativa que possam ser aqueles que alimentem sua alma e a façam sentir qualquer coisa contanto que viva, porque entendeu que o que importa é viver. Viver cada dia e não esperar pelos dias passarem na espera de uma felicidade breve que mais tarde nem se lembraria mais. Portanto continuou a escutar músicas soladas acusticamente que ainda fazem seus olhos derramarem lágrimas de saudade e felicidade. Músicas que regem uma harmonia tão bela que mesmo o maior dos insensíveis haveria de buscar desesperadamente por uma lembrança ou só um motivo que justificasse o poder que aqueles sons tinham de fazer seu cérebro resgatar memórias talvez esquecidas ou seu coração bater diferente naquele momento.

Sim, continuou a ouvir os sons do violão, passou a sair de casa para cada novo dia como uma oportunidade de ser portanto uma dessas lembranças no seu futuro que continuasse a estimula-la. E aprendeu a sorrir primeiro e não só depois de sorrirem pra ela, como se inconscientemente soubesse que a lembrança ficaria mais bonita de lembrar se ela aparecesse sorrindo. E percebeu que estava satisfeita e feliz de como tinha aprendido a viver cada dia, como se fosse um estado pleno e estável de felicidade que tivesse alcançado naquela fase. E que mesmo com as tristezas e fases menos felizes que insistem em aparecer, passou a entender melhor as pessoas e as coisas e seu antes estado de inquietude estava enfim mais sossegado. Encontrara uma maneira de administrar suas antes devastadoras emoções e se sentiu bem em deixar seus dias tornarem lembranças de uma vida bem vivida e cheia de bons e alguns maus momentos que motivassem a criar ou encontrar outros cada vez melhores.